Thank you
Ganhei um presente do meu amor. Não sei muito o que dizer, prefiro agradecer: Thank You ;*
Led Zeppelin: Shadows taller than our souls Charles R. Cross Editora: becker&mayer! (1ª edição/ 2009) New York, NY – USAFiled under: Literatura, música | 1 Comment
Tags: amor, Led Zeppelin, música
I put a spell on you
Música de 1956, escrita por Screamin’ Jay Hawkins. Uma canção de amor, escrita para assim ser. Meio blues, meio balada. Difícil de se ter isso hoje em dia.
Enfim, essa canção tem inúmeras versões e sua melodia foi “sampleada” por diversos artistas. Uma das maiores canções de todos os tempos. E o que ela tem demais para tudo isso? Bom, independente do repertório musical de quem a ouça, uma coisa é certa: aquela sensação de que alguém botou alguma coisa em “I put a spell on you”. Parece óbvios, não?
Escolhi algumas boas versões de “I put a spell on you” (porque se Limp Bizkit fez uma versão “sem solo” de Behind Blues Eyes do Who e Cláudia Leite transformou D’yer mak’er do Led em um “tipo axé”, eu me dou o direito em discriminar as versões em dois tipos, independente do gênero: boas e ruins).
That’s all because it’s mine. :P
Nina Simone
Creedence Clearwater Revival
The Animals
Buddy Guy e Carlos Santana
Pete Townsend e David Gilmour
Joe Cocker
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Tags: ballad, blues, música, versões
Aretha
Por si. Como se precisasse de mais alguém.
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Tags: Aretha Franklin, música

Foi o Who quem deu a dica ao Nirvana: quebrem seus instrumentos no palco, escrevam uma canção sobre a adolescência e façam uma capa de disco esculachando o capitalismo. No meu ver, uma das grandes diferenças entre uma banda e outra é o aprimoramento técnico, ou simplesmente acredito que o passar dos anos mutilou aquilo que era feito com tanto zelo nas décadas de 60 e 70 do século XX, mas não faço uma comparação direta entre essas duas bandas, mesmo porque não daria – é como comparar movimentos artísticos que aconteceram em tempos diferentes, com razões bastante distintas – enfim, seria estupidez. O que pretendo, bem sujamente, é observar que, hipoteticamente, se o Who não tivesse sido formado alguns anos depois, ou mesmo antes, dos Beatles, poderia ter sido muito maior do que foi. Poderia ter sido o que foi o Nirvana na sua época, talvez por não existir um grupo como os Beatles nas décadas de 80 e 90.
Ok, você pode lembrar do Guns n’ Roses, mas o próprio Kurt tinha dado o toque quando disse algo similar a “eles poderiam ter sido a maior banda dessa geração, mas não foram porque gostavam mais da fama do que da música”, alguma coisa assim. E de fato, mesmo com todos os rifes “chiclete” e refrões de mesma proporção, o Guns n’ Roses fez barulho… até a chegada do Nirvana. Diferente dos Beatles, que a partir de 1964, ano de surgimento do The Who, passaram a compor canções muito mais fortes do que as já bem sucedidas She loves you e I want to hold your hand.
Pois bem, só para constar, na minha opinião The Who está entre as cinco maiores bandas de rock, a minha preferida é Led Zeppelin e, mesmo com todo o apreço, não tenho dificuldade em admitir que nenhuma delas foi, para o mundo, a maior banda das décadas de 60 e 70. Por que? Porque a maior foi The Beatles, The Who poderia ter sido e, mesmo com todo o mainstream, o Led Zeppelin jamais conseguiria ser – tinha aversão a publicidade e programas de televisão. Detalhe, faço aqui uma análise inversa: se o Led Zeppelin tivesse sido formado nas décadas de 80 e 90, talvez não teria sido tão grande quanto foi. Simples, a MTV teria acabado com a banda. Ah, e também porque eles dividiriam cena com um grupo como o Metallica; mas enfim, essa é mais uma daquelas discussões estúpidas.
De volta a minha analise, observo que o Who, visto o que fez em The Who Sell Out e Tommy, tinha tudo para ser bem maior do que foi, mas os Beatles, bom, são os Beatles. E o Nirvana fez o que tinha que fazer. Mesmo sabendo que o Kurt Cobain era fortemente identificado com o John Lennon, ainda assim, é impossível assistir uma apresentação do Nirvana e não lembrar do The Who. Só não me faça ouvir de novo Smells like teen spirit, por favor. Hoje não. Nem amanhã. Se é pra dar repeat que seja em Baba O’Riley.
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Tags: adolescência, Beatles, crítica, Guns n' Roses, Led Zeppelin, música, Nirvana, rock, Who
Por ti Bandeira

Gosto tanto de Manuel Bandeira, mas tanto, que decidi poupá-lo do meu experimentalismo literário. Apenas deixarei aqui três poemas retirados do livro Libertinagem – felicidade, foi o primeiro que li. São poemas conhecidos, mas não me canso de lê-los, não me canso dessa coisa antagonista ao vestido da debutante, desse sentimento não-novela, desse princípio anti-te-trago-essa-rosa que envolve Bandeira.
Não sei dançar
Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu já tomei tristeza, hoje tomo alegria.
Tenho todos os motivos menos um de ser triste.
Mas o cálculo das probabilidades é uma pilhéria…
Abaixo Amiel!
E nunca lerei o diário de Maria Bashkirtseff.
•
Sim, já perdi pai, mãe, irmãos.
Perdi a saúde também.
É por isso que sinto como ninguém o ritmo do jazz-band.
•
Uns tomam éter, outros cocaína.
Eu tomo alegria!
Eis aí por que vim assistir a este baile de terça-feira gorda.
•
Mistura muito excelente de chás…
Esta foi açafata…
- Não, foi arrumadeira.
E está dançando com o ex-prefeito municipal:
Tão Brasil!
•
De fato este salão de sangues misturados parece o Brasil…
•
Há até a fração incipiente amarela
Na figura de um japonês.
O japonês também dança maxixe:
Acugêlê banzai!
•
A filha do usineiro de Campos
Olha com repugnância
Para a crioula imoral.
No entanto o que faz a indecência da outra
É dengue nos olhos maravilhosos da moça.
E aquele cair de ombros…
Mas ela não sabe…
Tão Brasil!
•
Ninguém se lembra de política…
Nem dos oito mil quilômetros de costa…
O algodão do Seridó é o melhor do mundo?… Que me importa?
Não há malária nem moléstia de Chagas nem ancilóstomos.
A sereia sibila e o ganzá do jazz-band batuca.
Eu tomo alegria!
(Petrópolis, 1925)
—
Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
•
Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
- Respire.
O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
—
Poética
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor
•
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocabulário
Abaixo aos puristas
•
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
•
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo o lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
•
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.
•
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare
•
- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.
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Tags: Brasil, Libertinagem, Manuel Bandeira, poema

A brincadeira é mais ou menos a seguinte: eu escolho aleatoriamente uma música e fico imaginando uma situação para aquele ritmo, aquela melodia. Uma situação qualquer, mas com embasamentos que vão muito além da tradução literal da letra. Para ser mais clara, nesse primeiro momento, foda-se a letra. Ela é secundária, é suplente de vereador, é terceira marcha no trânsito de São Paulo. O que quero dizer é que, sim, uma hora precisarei dela, não existe jogo sem letra, você vai perceber, mas priorizo o instrumental. OK? Ah, e é coisa simples e rápida, nada de bancar o Dostoiévski, Tolstoi… Caso queira, faça o mesmo aqui comigo. Deixe um comentário com a sua versão para a música que eu escolhi. Ou escolha uma música para eu escrever uma história.
Música: Ballad Of A Thin Man / Bob Dylan
Sul dos Estados Unidos, mas não no Texas. Um bar com o seu interior forrado de madeira. Costas de um homem sentado tocando o piano folk. Um bêbado de boa aparência, desses que cheira álcool mas é capaz de andar sem tropeçar, levanta e caminha em direção a saída. Acena para o garçom. O garçom responde:
- Te vejo essa noite? Costume. Não se perde de um dia para o outro.
O garçom sorri. O bêbado sorri sem mostrar os dentes e sai. Chega em sua casa térrea, não tranca a porta e vai para a suíte tomar um banho. Não faria sentido trancar a porta do banheiro, então lá está esse homem, debaixo do chuveiro, com todas as portas abertas.
Um outro homem entra na casa e vai até o escritório, o bêbado tinha uma bela casa. Lá, entre papeis tão bem organizados, o invasor abre a primeira gaveta da mesa com uma chave que tira do bolso da calça. Retira uma pequena caixa da gaveta, a guarda na parte interna do casaco e vai embora. Ao ver a porta entreaberta do banheiro, pára e olha. A sombra do bêbado no chuveiro. A meia face do invasor entre a porta. O bêbado deixa cair o sabonete (brincadeira, desconsidere a parte do sabonete). O bêbado desliga o chuveiro, o invasor sai correndo. O bêbado olha para porta, como quem ouve um barulho estranho, enrola a toalha na cintura e sai do banheiro ainda molhado. Pés molhados sobre o piso de madeira. Caminha sutilmente pela sala, cozinha, nada anormal. Volta para a sua suíte e começa a se secar. Veste-se e vai até o escritório, sobre a mesa pega um porta-retrato com uma fotografia sua cassando e abre, como se fosse trocar de fotografia. Ali estava uma pequena chave, o bêbado a pega e abre a primeira gaveta da mesa. Passa a mão sobre toda a parte de dentro da gaveta. Abaixa para olhar de perto. Fecha violentamente a gaveta. O bêbado foi furtado.
Ele volta ao bar (claro, não faria um bêbado ligar para a polícia, e o bar é na esquina da casa dele…). No bar, senta, gesticula para o já conhecido garçom que secava um copo com um pano de prato branco, e pede um whisky sem gelo. O garçom sorri, segue em direção do bêbado para atendê-lo e coloca o copo que acabara de limpar na sua frente, sobre o balcão. Pega o whisky e enche o copo. O bêbado segura o copo e observa ao seu redor. Um homem magro, com uma garrafa de cerveja quase cheia e um copo americano com a bebida pela metade, levanta, deixa uns trocados sobre a mesa e sai rapidamente com o olhar fixo no caminhar, não encara ninguém. O bêbado levanta e segura pelo braço o homem magro que saia rapidamente. O homem pára, olha para o bêbado, com a mão do outro braço não imobilizado, tira o chapéu da cabeça e o leva ao peito. O bêbado pergunta para o homem magro:
- Alguma coisa está acontecendo aqui mas você não sabe o que é, ou sabe, Mr. Jones?
FIM
É isso, me divirto assim. Publicarei outras.
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Tags: Bob Dylan, desenho, música
David Shrigley
Imagens retiradas do livro “Who I am and what I want” de David Shrigley. Mais informações sobre o livro e autor: http://bit.ly/3dngOr
“It’s not about who you are and what you want.You always think everything I write is about you but it’s not. It’s all about me. (…) I don’t care about you and I don’t care what you want – just shut up and listen. (…) I’m just trying to make you understand.”







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Tags: bizarro, contradição, desenho

Sugestão: Leia ouvindo Street spirit (fade out)/Radiohead_The Bends
Distanciou-se de todos. Negou os convites às festas, churrascos e casamentos. Nunca mais compareceu aos botecos, comemorações e despedidas. Evitou qualquer tipo de encontro, parou, até mesmo, de olhar para o espelho. Irritado com a sua curiosidade – não o deixava em paz por conta de sua visão periférica – guardou todos os objetos de superfície refletora da casa. Também apagou as luzes, sim, todas as luzes. Optou viver em plena escuridão, quando noite. Durante o dia ainda estava sob as mantas.
Deixou de caminhar pelas ruas de guias e bueiros conhecidos. Abandonou seus vícios, amigos, vizinhos, parentes, pertences, livros, discos e arquivos. Não mais ligou a TV, não pagou suas faturas, cortaram-lhe a internet e o telefone. Desistiu de seu locutor de rádio favorito, tão pouco leu o jornal de ontem entregue hoje pela portaria do seu prédio. Desfez-se do carregador de bateria do seu celular. Fechou portas, ralos e janelas. Trancou suas gavetas, cobriu seus móveis com pedaços de pano, estavam surrados demais para ainda serem reconhecidos como o jogo de lençóis dado por sua madrinha no dia em que optou morar sozinho, ainda que dependente dos pais. Financeira e emotivamente.
Encomendou um suporte de gesso para o seu pescoço, como aqueles usados por quem sofre de algum tipo de lesão na coluna, a diferença do encomendado estava na espessura: era muito maior, tinha que ser, assim ele não conseguiria nada. Não veria nem mesmo os seus pés.
Preparou-se, desistiu rapidamente da idéia de usar uma corda – o gesso em seu pescoço–, também o método não lhe agradava, muito depressivo. Preferiu fazer de sua escolha semelhante a dos fracassados, tão pouco corajosos, que apertam o gatilho por temerem a vida mais do que a morte.
Dito, com a mãos direita segurava uma pistola, havia a conseguido com um policial aposentado com quem dividiu o balcão de um botequim semanas atrás. Ambiente esse tão bem configurado em sua memória como o dia da sua catarse, minutos depois largaria o copo americano com a cerveja, ainda gelada, pela metade.
Feito, na outra mão, um copo cheio d’água para jogar na própria cara. Mas isso só depois do primeiro estouro. Detalhe esse que o fará lembrar que não muniu a pistola. Tudo para que, quem sabe assim, ele consiga viver o resto de seus dias lembrando da vez em que desistiu da morte para nunca mais esquecer da vida.
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Tags: liberdade, saudade, sociedade

















